Primeiro Comando da Capital surgiu em unidade de Taubaté.
(Imagem: Reprodução / Wikipedia)
Por Danilo Costa
O fechamento definitivo da antiga Casa de Custódia de Taubaté, conhecido presídio “Piranhão”, encerra um dos capítulos mais simbólicos e controversos da história do sistema prisional brasileiro.
A unidade, marcada por rebeliões, mortes e pela passagem de criminosos de notoriedade nacional, também ficou conhecida como o berço da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), agora classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira.
Facção paulista “nasceu” em 1993
A desativação do complexo está prevista para começar em julho de 2026, após determinação ligada à Política Antimanicomial do Poder Judiciário.
A medida coincide com um novo capítulo envolvendo o PCC no cenário internacional: nesta quinta-feira (28), o governo norte-americano anunciou a inclusão da facção e do Comando Vermelho (CV) em sua lista de organizações terroristas estrangeiras.
Fundado em 1993 dentro da unidade prisional de Taubaté, o PCC surgiu inicialmente como um movimento organizado entre detentos após o massacre do Carandiru, episódio ocorrido em 1992 na capital paulista, que terminou com 111 presos mortos durante ação da Polícia Militar.
O grupo nasceu com o discurso de “união” entre presos e reivindicação por melhores condições no sistema penitenciário.
Influência do PCC nacionalmente e internacionalmente
Com o passar das décadas, porém, a organização ampliou seu poder dentro e fora das cadeias, consolidando influência no tráfico de drogas, armas e em crimes organizados em diversos estados brasileiros e até fora do país.
A Casa de Custódia de Taubaté teve papel central nesse processo. Considerada uma das prisões mais rígidas de São Paulo, a unidade recebeu presos de alta periculosidade e se tornou símbolo do endurecimento do sistema carcerário paulista nas décadas passadas.
Nomes conhecidos passaram pelo presídio de Taubaté
Entre os nomes que passaram pelo local estão Marcola, apontado como principal líder do PCC; Francisco Costa Rocha, conhecido como Chico Picadinho;
e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador.
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os internos que ainda permanecem na unidade serão encaminhados para estruturas vinculadas à Secretaria Estadual da Saúde, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).