Seg, 27 de Julho
Política

Prefeitura de Taubaté diz que reivindicações de servidores são inviáveis diante de dívida de R$ 1 bilhão

22 mai 2026 - 18h03 Kaline Brito   atualizado às 18h05
Prefeitura de Taubaté diz que reivindicações de servidores são inviáveis diante de dívida de R$ 1 bilhão Manifestantes se uniram para protestar contra a negativa do governo municipal de Taubaté. (Imagem: Reprodução / Marcelo Caltabiano)

Por Danilo Costa

 

A Prefeitura de Taubaté afirmou nesta sexta-feira (22), que as reivindicações econômicas apresentadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais teriam impacto superior a R$ 200 milhões por ano no orçamento municipal. 

Segundo a administração, a situação fiscal da cidade e uma dívida estimada em cerca de R$ 1 bilhão impedem, neste momento, o atendimento integral das demandas da categoria.

O posicionamento foi divulgado após o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Taubaté e Região (Sindserv Taubaté) informar que houve avanço apenas na pauta social das negociações, enquanto a pauta econômica teria travado completamente durante as reuniões com a administração municipal.

Negociação trava na pauta econômica dos servidores

De acordo com o Sindserv, todas as principais reivindicações financeiras apresentadas pela categoria foram rejeitadas pela Prefeitura de Taubaté, incluindo reposição salarial de 9,43%, reajustes de benefícios e pagamento de direitos acumulados.

Segundo a entidade, durante a mesa de negociação com a administração municipal, a pauta econômica dos servidores não avançou.

Em resposta, a Prefeitura informou que realizou uma nova rodada de debates nesta sexta-feira (22) com representantes do sindicato para apresentar os cálculos referentes aos pedidos apresentados pela categoria.

Segundo a administração municipal, os pleitos incluem:

- Reposição inflacionária referente aos últimos dois exercícios;
- aumento do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 830;
- criação do auxílio-transporte universal de R$ 563,04;
- quitação imediata de licença-prêmio acumulada;
- revisão da contribuição previdenciária de aposentados;
- retorno da antiga base de cálculo de insalubridade e periculosidade;
- vale-alimentação para duplo vínculo;
- pagamento de valores retroativos, conhecido como “descongela”;
- pagamento de horas extras sem limitação.

Ainda conforme a Prefeitura, todas essas medidas somadas gerariam impacto anual superior a R$ 200 milhões.

Reajuste salarial e benefícios são negados

Entre os itens apontados pelo sindicato como rejeitados estão a recomposição inflacionária de 9,43% e a reestruturação de benefícios trabalhistas.

O Sindserv também afirma que não houve acordo para revisão da contribuição previdenciária dos aposentados, tema considerado sensível pelos servidores inativos, que alegam perda do poder de compra nos últimos anos.

A Prefeitura, por sua vez, declarou que atua com “responsabilidade fiscal e financeira” e que não pode assumir compromissos que coloquem em risco o pagamento de salários e a manutenção dos serviços públicos.

Adicionais de risco e licença-prêmio entram no impasse

Outro ponto citado pelo sindicato é o pedido de restabelecimento da antiga base de cálculo dos adicionais de risco e a manutenção desse benefício durante períodos de licença médica.

Segundo o Sindserv, a administração também teria rejeitado a criação de uma legislação específica para pagamento de valores retroativos, conhecida entre os servidores como “Descongela”, além da quitação da licença-prêmio acumulada.

Na nota, a Prefeitura afirmou que parte das demandas relacionadas à insalubridade e periculosidade envolve apontamentos do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público.

Auxílios e horas extras seguem sem acordo

Entre os benefícios reivindicados pela categoria, o sindicato afirma que não houve avanço na implantação do auxílio-transporte de R$ 563,04 e no reajuste do auxílio-alimentação.

Também teriam sido negadas propostas relacionadas à adequação do pagamento de horas extras e à criação de um plano de recomposição das perdas salariais acumuladas.

Prefeitura destaca avanços na pauta social

Apesar do impasse econômico, a Prefeitura informou que, na primeira reunião realizada na semana passada, houve debate sobre ações administrativas e sociais voltadas aos servidores.

Segundo a administração municipal, entre os compromissos discutidos estão:

- Fortalecimento de políticas de combate ao assédio moral e organizacional;
- fornecimento adequado de EPIs;
- implementação do Plano de Gerenciamento de Riscos;
- adequação entre demanda de trabalho e carga horária;
- modernização do setor de Recursos Humanos;
- regularização de contratos de monitores escolares;
- realização de novos concursos públicos.

Expectativa para continuidade das negociações

Para o Sindserv, a ausência de propostas concretas na pauta econômica mantém o impasse nas negociações e pode ampliar a mobilização da categoria.

Já a Prefeitura afirma que segue realizando avaliações financeiras e buscando alternativas para valorização dos servidores, ao mesmo tempo em que tenta reorganizar o caixa municipal e ampliar a capacidade de investimento da cidade.

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