Prefeitura de Taubaté tem prazo de 48 horas para dar uma resposta aos grevistas.
(Imagem: Reprodução / PMT)
Por Danilo Costa
A médica ginecologista e servidora pública, Ana Paula Pereira, publicou nesta segunda-feira (18) em collab com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Taubaté (SindServ), um vídeo nas redes sociais em que faz um apelo público ao prefeito da cidade, ao Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo e à Federação Nacional dos Médicos diante da crise envolvendo a reposição salarial dos servidores municipais.
No pronunciamento, a médica afirma que a categoria não reivindica aumento salarial, mas sim a manutenção de direitos e a recomposição inflacionária. “A nossa luta principal é para que a gente não perca salário”, declarou a médica.
Segundo ela, os profissionais da saúde enfrentam perdas salariais acumuladas desde o início da atual gestão municipal.
Confira o vídeo AQUI.
Servidores cobram reposição e criticam possível corte de insalubridade
Durante o vídeo, Ana Paula relembra que a mobilização começou em fevereiro do ano passado, após a prefeitura iniciar discussões sobre a retirada do adicional de insalubridade dos profissionais da saúde.
“A gente quer que esse estudo da insalubridade, caso ele vá tirar 20% do nosso salário, que ele seja reposto no salário base. Isso é o emergencial”, afirmou a doutora.

Ela também criticou a falta de reajuste salarial conforme a inflação. “Desde que ele entrou, não deu nem o ganho da inflação”, disse, ao citar que os custos de vida aumentaram nos últimos anos enquanto, segundo ela, os salários dos servidores municipais ficaram congelados.
A médica ainda alegou que a prefeitura estaria priorizando contratos terceirizados em vez da valorização dos servidores efetivos.
“O dinheiro da prefeitura só não tem para pagar o nosso salário. Porque para pagar festas, a gente está vendo que tem. Para contratar empresas terceirizadas, a gente está vendo que tem”, declarou a servidora.
Estado de greve e prazo de 48 horas para contraproposta
O vídeo foi divulgado no mesmo dia em que o SindServ notificou oficialmente a Prefeitura de Taubaté sobre o estado de greve aprovado pela categoria na última sexta-feira (15).
Segundo o sindicato, os servidores decidiram entrar em estado de greve após rejeitarem a proposta apresentada pelo município durante reuniões realizadas ao longo do dia no Palácio do Bom Conselho.
De acordo com Ana Paula, a categoria aguarda uma contraproposta da prefeitura dentro do prazo de 48 horas. “Nós estamos juntos e o prefeito tem 48 horas. Infelizmente, se ele não nos der nenhuma contraproposta, nós vamos precisar paralisar”, afirmou a doutora.
Ela alertou ainda para os possíveis impactos de uma paralisação nos serviços públicos de saúde. “Quem vai perder é a população que vai ficar sem atendimento médico, odontológico e de enfermagem nos postos de saúde”, lamentou Ana Paula.
Médica aponta déficit de especialistas na rede pública
Ao longo do pronunciamento, Ana Paula também relatou dificuldades enfrentadas atualmente pela rede municipal de saúde de Taubaté, citando falta de especialistas e aumento das filas de espera.
“Nós estamos com déficit de especialistas, precisando urgente de endocrinologista pediátrico. As crianças com diabetes tipo 1 estão sem acompanhamento especializado”, afirmou a especialista.
Ela também mencionou ausência de neuropediatras, psiquiatras infantis e cirurgiões vasculares no município. Segundo a médica, a fila para cirurgia vascular ultrapassa duas mil pessoas aguardando atendimento.
Outro ponto criticado foi o cancelamento de concursos públicos. “O prefeito cancelou o concurso. A primeira medida dele, quando entrou, foi cancelar o concurso”, declarou a médica ginecologista.
Defesa do SUS e permanência dos médicos na rede pública
No fim do vídeo, a ginecologista defendeu a valorização dos profissionais concursados e afirmou que a precarização pode afastar médicos da rede pública municipal.
“A gente ama trabalhar na prefeitura. A gente está lá porque gosta”, disse Ana Paula.
Ela também ressaltou a importância do vínculo entre profissionais e pacientes no SUS. “A gente quer que o paciente do postinho também tenha acesso ao seu médico de confiança”, declarou a servidora.
A médica encerrou o apelo pedindo apoio da população e das entidades médicas para pressionar a administração municipal a apresentar uma nova proposta.
Nota oficial da Prefeitura
Em nota oficial enviada a reportagem do Portal VL News, a Prefeitura de Taubaté afirmou que promoveu uma primeira rodada de conversas com representantes do Sindicato dos Servidores para discutir temas ligados às condições de trabalho, valorização profissional, saúde do servidor e ao projeto de elaboração do plano de carreira.
Segundo a administração municipal, o encontro ocorreu de forma “amistosa” e resultou em encaminhamentos para novos diálogos e avaliações técnicas sobre as demandas apresentadas tanto pelo sindicato quanto pela prefeitura.
Confira a nota oficial na íntegra:
“A Prefeitura de Taubaté realizou nesta sexta-feira (15) a primeira rodada de reuniões com representantes do Sindicato dos Servidores para tratar de diferentes pautas relacionadas às condições de trabalho, valorização profissional, saúde do servidor, melhorias administrativas e sobre o projeto em andamento para elaboração do plano de carreira.
O encontro ocorreu de forma amistosa e resultou em encaminhamentos para novos diálogos e avaliações técnicas sobre os temas apresentados pelo sindicato e pela administração municipal.
As pautas que envolvem impacto financeiro e orçamentário, incluindo questões relacionadas ao dissídio, serão reavaliadas em próximos encontros, com base em estudos técnicos e de impacto fiscal, para que as decisões sejam tomadas com responsabilidade financeira e sustentabilidade para o município.”
A reportagem também entrou em contato com o Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo e com a Federação Nacional dos Médicos para solicitar um posicionamento sobre as declarações feitas pela médica Ana Paula Pereira e sobre a mobilização dos servidores da saúde em Taubaté.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno das entidades. O espaço segue aberto para manifestações.