Cenário acende alerta para violência muitas vezes silenciosa e praticada por pessoas próximas.
O Maio Laranja, mês de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, acende um alerta no Vale do Paraíba. Levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania aponta que, entre janeiro e abril de 2026, as 39 cidades da região somaram 2.200 denúncias, que resultaram em 1.210 protocolos e 13.620 violações de direitos desse público.
Os dados consideram três níveis de registro: os protocolos representam o número de atendimentos realizados, ou seja, quantas vezes o serviço foi acionado; as denúncias correspondem aos relatos formalizados, que podem envolver uma ou mais vítimas; já as violações dizem respeito aos tipos de violência identificados em cada caso, como abuso físico, psicológico, sexual ou situações de negligência.
O cenário revela que a violência contra crianças e adolescentes ainda é recorrente e, muitas vezes, silenciosa. As violações incluem diferentes formas de abuso, como violência física, psicológica e sexual, além de negligência, frequentemente praticadas por pessoas próximas às vítimas.
Para o coordenador de Direito da Faculdade Anhanguera de Taubaté, André Augustinho, o volume de registros reforça a necessidade de atuação conjunta da sociedade.
“A proteção de crianças e adolescentes não é apenas responsabilidade das famílias ou do poder público. Quando há suspeita de violência, é fundamental que qualquer pessoa denuncie, para que os órgãos competentes possam agir e interromper essas situações”, explica.
Além da conscientização, é importante destacar que existem diferentes canais para denúncia. Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser comunicados pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia e de forma anônima, além do Conselho Tutelar do município, responsável por acolher e acompanhar as ocorrências, e das autoridades policiais, como a Polícia Militar (190), em situações de emergência, e a Polícia Civil. Também é possível procurar delegacias especializadas na proteção da criança e do adolescente. Denunciar é um passo essencial para interromper ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas.