Justiça começa nova etapa do processo sobre morte de PM.
(Imagem: Divulgação / Agência Brasil)
Por Danilo Costa
A Justiça iniciou nesta semana, uma das principais etapas do processo que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
A audiência de instrução do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio e fraude processual, começou no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.
A fase de instrução tem como objetivo reunir depoimentos e elementos que poderão orientar a decisão sobre o futuro do processo.
Ao todo, 40 testemunhas estão previstas para serem ouvidas durante os cinco dias de audiência. Após a conclusão dessa etapa, caberá ao juiz avaliar se o caso será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Prisão do tenente-coronel ocorreu em março, em São José
Geraldo Leite Rosa Neto foi preso preventivamente em 18 de março, cerca de um mês após a morte da esposa.
O mandado foi cumprido por equipes da Corregedoria da Polícia Militar, com acompanhamento da Polícia Civil, na residência do oficial em São José dos Campos.
Segundo a Agência de Notícias do Governo de SP, na época, o inquérito conduzido pela delegacia responsável pelo caso apontou a suspeita de feminicídio e fraude processual e resultou no pedido de prisão preventiva encaminhado à Justiça Estadual.
A Corregedoria da PM também solicitou a prisão do oficial à Justiça Militar estadual, com base nos mesmos crimes investigados, além de violência doméstica.
Após a prisão, o tenente-coronel foi levado ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde passou pelos procedimentos legais e, posteriormente, foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, onde permanece preso.
Investigação aponta hipótese de feminicídio
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista.
A soldado foi localizada com um disparo de arma de fogo na cabeça.
Desde o início da investigação, o tenente-coronel afirma que a morte teria ocorrido por suicídio, mas a Polícia Civil apontou indícios de feminicídio.
Audiência reúne depoimentos antes de decisão sobre possível júri
Na primeira sessão, realizada nesta segunda-feira, duas testemunhas foram ouvidas por videoconferência.
A medida foi adotada em razão da partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo, e as próximas audiências estão previstas para ocorrer presencialmente.
O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto está programado para a próxima sexta-feira (3), após os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa.
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o caso deve seguir na Justiça comum, afastando a competência da Justiça Militar por considerar que a acusação não envolve crime de natureza militar.