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Deputado Carlão Pignatari (PSDB) foi eleito presidente da CPI para investigar a situação dos lixões paulistas.
Por Danilo Costa
Em um momento em que a destinação de resíduos sólidos entra no centro do debate estadual, com a instalação da CPI dos Lixões na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a situação da usina de recebimento de resíduos da construção civil de Caçapava vem à tona na região.
Em entrevista exclusiva ao Portal VL News, os responsáveis pela gestão da unidade anunciaram o fechamento das atividades há quase um mês e fizeram um relato detalhado sobre as dificuldades financeiras, operacionais e institucionais enfrentadas ao longo dos últimos dois anos.
Segundo eles, a decisão foi tomada após sucessivas tentativas frustradas de formalizar parcerias com o município.
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Em um momento em que a destinação de resíduos sólidos entra no centro do debate estadual, com a instalação da CPI dos Lixões na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a situação da usina de recebimento de resíduos da construção civil de Caçapava vem à tona na região.
Em entrevista exclusiva ao Portal VL News, os responsáveis pela gestão da unidade anunciaram o fechamento das atividades há quase um mês e fizeram um relato detalhado sobre as dificuldades financeiras, operacionais e institucionais enfrentadas ao longo dos últimos dois anos.
Segundo eles, a decisão foi tomada após sucessivas tentativas frustradas de formalizar parcerias com o município.
Usina de entulho em Caçapava acumula prejuízos e cobra apoio da Prefeitura
Logo no início da entrevista, os gestores fizeram questão de esclarecer que, embora a unidade esteja em evidência agora por conta do fechamento, o empreendimento não é recente na cidade. Eles explicam que a estrutura já existia, passou por um período de interrupção e, posteriormente, foi assumida pela atual administração, que afirma ter investido recursos próprios para mantê-la em funcionamento.“Na verdade, ela está aberta há três anos. Ela veio operando há três anos, ficou fechada por um período, a gente assumiu a gestão e tem dois anos que estamos na linha de frente fazendo acontecer.”De acordo com o relato, a paralisação anunciada não foi uma decisão isolada, mas o resultado de um acúmulo de dificuldades. A gestão afirma que, desde que assumiu a operação, enfrenta um descompasso entre os custos fixos da usina e a receita gerada pelo recebimento e processamento dos resíduos.
“Nós fechamos por vários conflitos e questões financeiras. O custo é muito alto para manter a operação. Estamos há quase dois anos mantendo tudo com recurso próprio. O que entra na usina mal paga a operação diária.”
Metade dos funcionários é demitida após paralisação das atividades
O impacto financeiro levou à redução do quadro de funcionários, o que, segundo os responsáveis, compromete ainda mais a possibilidade de retomada a curto prazo. A medida foi adotada como tentativa de conter prejuízos que, conforme afirmam, já se acumulam mensalmente.“Já dispensamos 50% dos funcionários da usina e não temos previsão de volta.”Além do fechamento físico da unidade para recebimento de materiais, a gestão informou que houve o bloqueio do sistema interno de certificação, documento exigido para comprovação da destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
“Fechamos a porta para caçambeiros e empresas de Caçapava e travamos a certificação no sistema. Está tudo parado. Isso gera um prejuízo de 80 a 100 mil reais por mês.”
Tentativas de parceria e licitação
Durante a entrevista, os gestores detalharam que, ao longo dos últimos dois anos, buscaram formalmente apoio institucional junto à Prefeitura. Segundo eles, a proposta nunca foi de subsídio direto, mas de integração da usina à política municipal de resíduos e de contratação dos serviços por meio de processos legais.“Há dois anos tentamos um apoio, um convênio, uma parceria com o município. Temos toda a documentação legal, acompanhamento de engenheira ambiental, participamos de credenciamento e depois de uma licitação eletrônica para fornecimento de material reciclado. Até agora, nada aconteceu.”Eles afirmam ainda que participaram de um credenciamento municipal, foram considerados aptos na análise documental e, posteriormente, convidados a integrar uma licitação eletrônica para fornecimento de material reciclado a ser utilizado em obras públicas, como manutenção de estradas rurais e serviços de construção civil.
“Ganhamos a licitação, estava tudo certo com a documentação, mas chegou para a gente que estão pegando material em outro lugar, mais longe e mais caro.”A situação, segundo a gestão, gera frustração principalmente pelo volume de investimento realizado antes mesmo do início da operação plena da usina.
“Foram três anos preparando a empresa, legalizando terreno, comprando maquinário. O investimento ficou entre 3 e 4 milhões de reais antes de começar a operar. Quando chega o momento de ajudar o município e isso não acontece, é muito frustrante.”
Contexto estadual: CPI dos Lixões
O tema ganha relevância no momento em que a Alesp instala a chamada CPI dos Lixões, que terá como foco investigar aterros irregulares e modelos como “vala controlada” no Estado. A comissão será presidida pelo deputado Carlão Pignataric (PSDB), com relatoria de Thiago Auricchio e vice-presidência do Delegado Olim. Entre as primeiras medidas anunciadas está a convocação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Ministério Público de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre licenciamento, fiscalização e eventuais irregularidades. Para a gestão da usina de Caçapava, a paralisação pode trazer impactos ambientais diretos.“Sem uma usina ativa na cidade, a tendência é virar lixão. Já estão jogando entulho pelos cantos há muito tempo. A usina está aqui para ser um braço do município e ajudar no que for preciso.”Com prazo inicial de 120 dias, a CPI poderá lançar luz sobre a destinação de resíduos sólidos em todo o Estado, e casos como o de Caçapava podem entrar no radar das investigações. O Portal VL News entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Caçapava para comentar as declarações feitas pela gestão da usina, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação e posicionamento oficial do município.
Foto 1: Divulgação Foto 2: Arquivo Pessoal
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