Vista aérea de Campos do Jordão.
(Imagem: Banco de Imagens)
Por Danilo Costa
Informações divulgadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta quarta-feira (27), apontam que imóveis localizados em Campos do Jordão estão entre os bens bloqueados pela Justiça durante uma investigação do MP-SP contra uma suposta organização criminosa investigada por pirâmide financeira, lavagem de dinheiro e estelionato.
A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP), determinou o bloqueio de bens e valores de 137 pessoas físicas e 32 empresas, com limite de R$ 162 milhões.
Justiça determina bloqueio milionário em investigação
Segundo o MP-SP, a medida cautelar foi cumprida neste mês de maio após decisão judicial publicada em abril.
Além do bloqueio financeiro via Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (SISBAJUD), a Justiça também determinou o sequestro de 52 imóveis e veículos ligados aos investigados.
Entre os bens atingidos estão casas em Campos do Jordão, além de imóveis em cidades como Guarujá, Barueri e Santana de Parnaíba, além de apartamentos em bairros nobres da capital paulista, como Vila Mariana, Perdizes, Vila Romana e Ipiranga.
Investigação aponta esquema voltado à comunidade cigana
De acordo com o Ministério Público, a investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes financeiros direcionados principalmente à comunidade cigana, no Brasil e no exterior.
Segundo os investigadores, os suspeitos prometiam rendimentos de até 100% ao mês sob a justificativa de investimentos em:
• ouro;
• moedas estrangeiras;
• automóveis.
Para convencer as vítimas, os líderes do grupo ostentavam luxo nas redes sociais e utilizavam relações de confiança dentro da comunidade cigana.
Ainda conforme o MP-SP, centenas de pessoas chegaram a vender:
• casas;
• joias;
• veículos;
• patrimônios familiares para investir no suposto esquema financeiro.
98% das negociações teriam ocorrido fora do sistema bancário tradicional
As autoridades acreditam que a movimentação financeira total do esquema possa ultrapassar R$ 700 milhões, já que cerca de 98% das negociações teriam ocorrido fora do sistema bancário tradicional, incluindo pagamentos em dinheiro vivo e barras de ouro.
As investigações apontam ainda que, após o colapso da pirâmide financeira, integrantes do grupo passaram a ameaçar vítimas que tentavam procurar autoridades policiais.
Cerca de 2 mil vítimas são investigadas no caso
Segundo o MP-SP, há aproximadamente duas mil vítimas identificadas no Brasil e em outros países.
Ao autorizar o bloqueio dos bens, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello afirmou que as medidas são necessárias para garantir eventual reparação financeira às vítimas e assegurar o possível perdimento dos bens obtidos de forma ilícita.
A decisão também determinou a expedição de ofícios ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Junta Comercial do Estado de São Paulo para bloqueio de ativos financeiros, investimentos e cotas sociais de empresas apontadas como possíveis empresas de fachada utilizadas no esquema criminoso.